CARNE DE VITELA -
UM CASO DE CRIME HEDIONDO

 

VITELA é a carne de um bezerro ANÊMICO que passa seus cinco meses de vida em um cercado minúsculo, impossibilitado de mamar nas tetas de sua mãe, impossibilitado de tê-la por perto, impedido de se mover. Tamanha crueldade, para que você tenha em SEU PRATO, algo MACIO.

Segundo Paul Kingsnorth, a produção de leite é uma das indústrias mais tristes. Quanto mais leite e laticínios consumimos, mais as vacas são tratadas como máquinas. De acordo com o Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), metade das vacas americanas vive em fazendas intensivas, em alojamentos de concreto, ligadas a máquinas de ordenhar. Têm mastite e infecções que deixam resíduos de pus no leite. As vacas de hoje produzem o dobro do que há 30 anos e até cem vezes mais do que no estado natural. As vacas em 1990 viviam apenas cinco anos em contraste com 20 a 25 anos de vida de 50 anos atrás. São entupidas com drogas e químicos para prevenir doenças e aumentar sua produtividade. Os bezerros que são obrigadas a parir para estimular a produção de leite são separados em 24 horas e serão vendidos como carne. Em 60 dias, as vacas serão engravidadas de novo.

Peter Singer afirma que a indústria de vitela é a mais repugnante do ponto de vista moral. Vitela são os bezerrinhos machos, descartados pela indústria leiteira e abatidos antes do desmame. Têm a carne macia e pálida, porque não comem capim. Na década de 1950, holandeses descobriram como engordá-los sem que a carne se tornasse vermelha ou menos macia, confinando-os em baias estreitas. Quando pequenos, são acorrentados pelo pescoço para evitar que se virem. O compartimento não tem palha ou outro forro, pois os animais poderiam comê-la, comprometendo a cor da carne. Sua dieta é líquida, baseada em leite em pó desnatado, vitaminas, sais minerais e promotores de crescimento. Assim vivem cerca de quatro meses, até o abate.

Os bezerrinhos sentem falta de suas mães e de algo para sugar, necessidade tão forte quanto nos bebês, mas bebem num balde de plástico. A carne pálida, considerada uma iguaria, é, na verdade, anêmica. Para que cresçam rápido ficam sem água, pois isso aumenta o consumo do substituto lácteo. Para reduzir a agitação, podem ficar no escuro, privados do contato visual com os outros. Os bezerrinhos são infelizes e pouco saudáveis. Isso é o que aconteceu com seu jantar no tempo em que ele ainda era um animal, diz Singer.
E a vitela no Brasil, como é produzida? E em Santa Catarina ? Ainda que nem todas essas etapas estejam presentes, essa indústria é marcada pela violação dos corpos das vacas (forçadas a engravidar); pelo seqüestro de seu bebê e pelo roubo do alimento dele; pela tortura em cativeiro (quando há confinamento); e pelo assassinato (morte desnecessária, movida por motivos hedonistas e torpes).
Se nos compararmos com outras sociedades que chamamos de primitivas, constataremos que nenhuma delas jamais tratou tão cruelmente os animais. O progresso que alcançamos é somente técnico. No plano ético é mínimo, senão nulo.
O correto, do ponto de vista ético, é a abolição do consumo de leite e derivados porque não precisamos deles. Se você acha que isso é um esforço grande demais, diminua seu consumo. As vacas - mães como muitas de nós - e seus bebês serão muito gratos.

Paula Brügger, professora do departamento de ecologia e zoologia da UFSC

(Fonte: JORNAL A NOTÍCIA – OPINIÃO - Quinta-feira, 05 de outubro de 2006 – Joinvile)


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