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FARRA DO BOI

Após
dias de tortura, o animal, que já não agüenta mais ficar
em pé,
é sacrificado e a carne dividida entre os participantes.
Todos
os anos, entre trinta e quarenta comunidades do estado de
Santa Catarina continuam promovendo a Farra do Boi. Isso
acontece em especial na época da Páscoa (a prática foi introduzida
no litoral catarinense pelos imigrantes açorianos, pretendendo
simbolizar a Paixão de Cristo - segundo alguns, o boi representaria
Judas, segundo outros Satanás).
Hoje, até a antiga conotação religiosa foi abandonada, já
que também usam a Farra do Boi para celebrar aniversários,
casamentos e outras festas, até vitórias em jogos de futebol.
Inicialmente o animal é aprisionado e fica sem receber qualquer
alimento, sendo que comida e água são colocados em locais
onde ele pode ver, mas não consegue alcançar.
Após
alguns dias, com o boi já fraco, desnutrido e desidratado,
inicia-se a "brincadeira": o boi é solto e perseguido pelos
participantes, que passam a atacá-lo com facas, pedras,
pedaços de madeira, chicotes e outros instrumentos. Os "farristas"
- homens, mulheres e crianças - tomam algum cuidado para
não matar o boi no início, a fim de que a "festa" dure três
dias ou mais. Nesse tempo podem espancá-lo, arrancar seus
olhos, quebrar patas, cortar o rabo, jogar óleo quente sobre
ele, introduzir pedaços de madeira em seu ânus, dentre outras
atrocidades. Como a prática é mais comum em comunidades
litorâneas, acontece de o boi fugir para o mar, onde só
consegue escapar da tortura afogando-se.
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Em
outros casos, o animal tenta fugir pelo asfalto: no ano passado,
um boi perseguido por "farristas" foi atropelado por um carro,
e ambos atingidos por outro veículo. Morreu o boi e uma criança
com menos de um ano. A Farra é proibida por Lei: a agressão a
animais está prevista na Lei Federal 9.605/98 (Lei de crimes ambientais)
e a Farra do Boi já foi condenada por decisão do Supremo Tribunal
Federal. Com a proibição, as estradas começaram a ser fiscalizadas
para impedir o transporte ilegal dos bois, mas eles são transportados
clandestinamente, burlando a fiscalização.
Algumas
localidades são mais insistentes em descumprir a Lei e manter
a Farra. Segundo informações da Polícia Militar, os bairros Pântano
do Sul e Ingleses (na capital catarinense) e os municípios de
Garopaba, Palhoça, São José, Governador Celso Ramos, Tijucas,
Palhoça (na Grande Florianópolis), Bombas, Bombinhas, Porto Belo,
Itajaí , Imbituba, Laguna, Penha, Piçarras e Navegantes (norte
do Estado) merecem atenção maior. Escreva seu próprio texto, mande
sua opinião, demonstre sua indignação à imprensa e manifeste-se
no sentido de que as autoridades devem tomar providências e manter
fiscalização intensiva para evitar a Farra.
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