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RINHAS
DE CÃES, GALOS E CANÁRIOS

O Decreto 24.645/34, que estabelece medidas de proteção
ao animal, reza em seus artigos:
"... Artigo 3° - Consideram maus-tratos:
I - praticar atos de abuso ou crueldade em qualquer animal;
(...)
XXIV - Realizar ou promover lutas entre animais da mesma espécie
ou espécies diferentes, touradas, e simulacro ou tourada,
ainda mesmo em lugar privado. (...)
XXX - arrojar aves e outros animais nos casos de espetáculos
e exibi-los para tirar sorte (...)."
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Preparação
dos galos
É válido notar que, nesta espécie de torneio, os animais são
criados, desde a época de frango, com a finalidade de se tornarem
"galos de briga", e é nesta fase que são "treinados", por seus
tratadores, os quais lhes arrancam as penas da cabeça e da parte
superior da coxa, ficando exposta a musculatura que é adquirida
com os exercícios efetuados. Existe um ritual sádico, cruel
e perverso de preparação das aves, anterior às rinhas, consistente
em privá-las de alimentação, enclausurando-as em pequenas gaiolas,
em lugares sem iluminação e ainda com a utilização de capuz
para que tenham um bom reflexo durante as lutas.
Os galos de briga são "treinados" por seus donos, com o intuito
específico de participarem de tal tipo de disputa, muitas vezes
lhes sendo aplicadas substâncias prejudiciais a fim de aumentar
sua "competitividade".
Em petição encaminhada, no ano passado, ao Procurador Geral
da República, pugnou a nobre advogada. Dra. Edna Cardozo Dias,
membro da Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos do CONAMA - Conselho
Nacional de Meio Ambiente, pela Ação Direta de Inconstitucionalidade
contra Lei Estadual do Rio de Janeiro nº 2.895/98, por permitir
a prática ilegal e inconstitucional de rinha de galo naquele
Estado, relatando a perversidade que envolve tal competição
(folhas 40,41,42 e 43): " Da Preparação à Rinha: Por volta de
um ano o galo já está preparado para a briga e passará por sessenta
e nove dias de trato. - No trato o animal é pelinchado - o que
significa ter cortadas as penas de seu pescoço, coxas e debaixo
das asas -, tem suas barbelas e pálpebras operadas. Iniciou,
pois, uma vida de sofrimento, com o treinamento básico. O treinador,
segurando o animal com uma mão no papo e outra no rabo, ou então,
segurando-o pelas asas, joga-o para cima e deixa-o cair no chão
para fortalecer suas pernas. Outro procedimento consiste em
puxá-lo pelo rabo, arrastando-o em forma de oito, entre suas
pernas separadas. Depois, o galo é suspenso pelo rabo, para
que fortaleça suas unhas na areia. Outro exercício consiste
em empurrar o animal pelo pescoço, fazendo-o girar em círculo,
como um pião. Em seguida, o animal é escovado para desenvolver
a musculatura e avivar a cor das penas, é banhado em água fria
e colocado ao sol até abrir o bico, de tanto cansaço. Isto é
para aumentar a resistência. (...) O galo passa a vida aprisionado
em gaiola pequena, é privado de sua vida sexual normal, só circulando
em espaço maior nas épocas de treinamento...
Chega a hora do galo ser levado às rinhas. Depois da parelha
(escolha dos pares), vem o topo, que é a aposta entre os dois
proprietários. São, então, abertas as apostas e as lambujas.
Os galos entram no rodo calçados com esporas postiças de metal
e bico de prata (o bico de prata serve para machucar mais ou
para substituir o bico já perdido em luta). A luta dura 1h 15min,
com quatro refrescos de 5min. Se o galo é "tucado" (recebe golpe
mortal) ou é "meio-tucado" (está nocaute), a platéia histérica
aposta lambujas, que são apostas com vantagens para o adversário.
Se o galo ficar caído por 1m o juiz autoriza o proprietário
a "figurar" o galo (tentar colocá-lo de pé). Se ele conseguir
ficar de pé por 1m a briga continua. Se deitar é perdedor. O
galo pode ficar de "espavorido" quando leva uma pancada muito
dolorosa e abandona a briga. Se a briga durar 1h15m sem um deles
cair há empate e topo perde a validade. Faz-se apostas até sobre
o refresco. Galo carreirinha é aquele que pecorre o rodo correndo
até cansar o outro que está correndo atrás dele para depois
abatê-lo. Galo canga é aquele que cruza o pescoço dele com o
outro, forçando para baixo até que o adversário perca a postura
de briga. O galo velhaco é aquele que, no meio da briga, entra
por debaixo das pernas do adversário, quando está sendo atacado
e depois o pega de emboscada. Tudo isto comprova que as brigas
de galos são cruéis e só podem ser apreciadas por indivíduos
de personalidade pervertida e sádicos."
E o pior é que alguns indivíduos que praticam este crime ainda
se dizem cristãos e 'QUE GOSTAM DE ANIMAIS..."
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