Na
natureza jamais um canídeo se atreveria a entrar no território
de um outro comendo sua comida ou deitando em sua cama, mas
ele poderia sim tentar participar deste novo grupo ou fazer
acordos de divisão territorial, mas como seria isso. Bem, como
o animal tem por instinto a sobrevivência e logicamente que
invadir apenas não é seguro então ele faz como qualquer ser
educado e civilizado: ele se apresenta. O pretendente, se assim
posso chamá-lo apenas se mostra no primeiro dia, ou seja, fica
de longe e se deixa ser visto pelo dono da área. No dia seguinte
ele faz um ou outro xixizinho por ali e com isso se identifica,
no outro dia e com muita paciência ele vai se aproximando e
vendo a reação do oponente e dono do território ate que depois
de muito se apresentarem ele finalmente pode dividir o espaço.
Mas nem sempre é assim, pois se o anfitrião não quiser ele não
entra e ponto final. A não ser que ele seja mais forte e mais
dominante e se torne ele o dono do território.
Mas como é que os humanos fazem mesmo. Vão a um petshop e compram
um novo amigo para o cão que esta sozinho em casa, normalmente
um filhote peralta e que assim que chega na casa come a comida,
dorme na cama do outro faz xixi em todo lugar... será mesmo
que o dono da casa vai gostar: O correto seria este animal novo
ser apresentado lentamente ao dono da casa, nos primeiros dias
ele apenas sentiria o cheiro de longe, passaria a sentir seu
cheiro também no dono e então seria apresentado formalmente
mas rapidamente em um primeiro contato, e só então depois de
alguns dias seria introduzido a nova casa.
Bem
já vimos que cães são diferentes do homem. Mas então o que é
exatamente essa síndrome de abandono.
Síndrome
de abandono é um estado anormal de euforia em que o
cão fica quando chegamos em casa. Ele nos lambe, pula e late
inicialmente e com o passar do tempo o cão passa a ter tremores
por todo o corpo e a latir desesperado pode soltar urina e fezes
ali mesmo e pode ate ter desmaios ou convulsões em casos mais
graves. Acredite isso não é saudades é uma doença e deve ser
tratada, pois seu cão sofre muito. Logicamente que esta doença
não se instala rapidamente e existem muitos graus de comprometimento,
mas sempre que ela se instala há um grande comprometimento do
comportamento do cão. Tudo se inicia com a partida e a chegada
do dono na casa, pois normalmente o dono se despede de um filhote
afetivamente e quando chega, o dono sim com saudades, a primeira
coisa que faz é pegar o cão no colo e agradá-lo com muita intensidade.
O cão não tem conhecimento de tempo, ou seja, não sabe o que
são 10 minutos ou 10 horas, mas sabe que assim que seu dono
chegar em casa ele vai ganhar muito carinho e isso o deixa em
uma ansiedade absurda, gerando assim a síndrome do abandono.
O cão passa com a evolução da doença a não permitir que seu
dono saia, quando o dono fala tchau Totó ele quer morder o dono
(obviamente para que ele volte imediatamente e lhe de carinho),
mas isso é feito com muita intensidade latindo e pulando e mordendo
também. Com a chegada do dono o cão passa então a latir intensamente
e a pular em seu dono, pois aquela é sua hora, exclusivamente
sua com seu dono. E com o passar do tempo este animal entra
em estado de alerta tentando identificar o som do carro dentre
muitos e cheiro de seu dono ou qualquer sinal que indique que
ele esta chegando, formando assim um estado de ansiedade que
o leva a ter tremores, salivação, incontinência urinaria e fecal,
desmaios e ate convulsões. Esta instalada a Síndrome de Abandono.
Mas se esta síndrome é por excesso de dono, é ate obvio que
o cão deve ter menos dono. Traduzindo: toda vez que o dono chegar
em casa ele deve ignorar o cão. Isso mesmo não deve nem
olhar para ele, pois assim ele vai se acostumar que quando seu
dono chega nada muda e não terá mais esta ansiedade da chegada
do dono. Logo após o dono ter chegado em casa e que
o cão não esteja mais pulando a ao menos 15 a 20 minutos ai
sim o dono deve sentar em algum local confortável e com todo
calma e sem agitar seu cão chamá-lo para uma brincadeira. Este
é o tratamento desta síndrome, mas em casos mais graves o Médico
Veterinário deve ser consultado para que possa medicar o animal
e ajudar na recuperação de sua ansiedade.
Carlos
Renato Murta (18/05/2005)
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