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PROBLEMAS
COMPORTAMENTAIS
DE CÃES
O Problema dos Latidos
Difícil encontrar quem já não tenha passado
pelo incômodo dos latidos dos próprios cães
ou mesmo dos cães dos vizinhos, gerando sempre aquelas
reclamações, brigas e infindáveis situações
desagradáveis. O cão que late muito, aquele
latido crônico, aparentemente sem razão nenhuma
é um transtorno, um aborrecimento que tira a paz e
tranqüilidade de qualquer
um.
Este
tipo de latido não é saudável inclusive
para o próprio cão, pois estes latidores contumazes
prejudicam a si mesmos gerando um círculo vicioso terrível,
ou seja, quanto mais late, mais ansioso fica, passa a latir
mais e isso causa stress no animal, provocando alterações
no sistema imunitário, queda de resistência e
em casos mais graves até úlceras.
Por outro lado, analisando mais cuidadosamente o problema
dos latidos, sabemos que todo comportamento tem uma causa
e portanto, se a causa ou as causas da ansiedade do cão
forem conhecidas e se possível eliminadas, este comportamento
poderá ser modificado. Entretanto, se tentarmos solucionar
o problema dos latidos por ansiedade sem saber a causa, poderemos
causar outro problema, ou seja, o cão até poderá
reduzir os latidos, mas começará a ter outro
hábito desagradável como cavar o jardim, roer
móveis, etc.
Antes
de mais nada vamos comentar algo sobre o latido para procurarmos
identificar o tipo de latido, pois o latido envolve diferentes
tipos de sons que representam várias mensagens passíveis
de serem compreendidas. O cão muito jovem não
pára de pedir socorro à mãe, geme por
uma multidão de pretextos, quando está com frio,
com fome, com dor, quando está só e até
mesmo com vontade de evacuar. Por volta de uns 10 dias de
idade, além de choramingar, protestar, já começa
a vocalizar seus primeiros latidos.
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Quanto mais cresce, mais utiliza a voz. O repertório
de sons varia com a freqüência, duração,
ritmo, volume e o latido que de rosnado, uivado e ganido, passa
a ser fruto de sábias misturas de sons e todos eles com
significado próprio. Como tudo na natureza, este concerto
não é nenhum ato gratuito e ao contrário
do que muita gente pode pensar, ele tem uma razão para
existir.
Sempre o cão tem vários motivos para latir, para
saudar o dono quando chega em casa, para convidá-lo para
brincar, quando está contente, quando está com
fome e sede, etc.. Quando um cão late à chegada
de um estranho ou alguém rondando a casa, além
de ser um sinal de advertência com o intuito de intimidar,
o cão também está se esforçando
para não ter medo e está procurando trazer outros
cães ao seu lado, assim como fazia antigamente no estado
selvagem.
Já o ato de uivar é um modo de expressão
dos mais contagiosos. Quando um cão uiva ele está
sendo localizado por outros cães que mesmo a centenas
de metros de distância, passam a responder seus apelos
e o diálogo não tem fim. No mundo canino quando
um cão quer ser tranqüilizado e pedir socorro, é
através do uivo que ele se declara.
Portanto os cães para se manterem saudáveis psicologicamente
necessitam se manifestar e emitir sons. Já quando passam
a latir em demasia, algo vai mal em sua vida. Sempre é
bom lembrar que o cão não vive só de comida.
Se ele está afastado do convívio familiar, isolado
e amarrado no fundo do quintal, se está sendo provocado
por estranhos no portão de casa, se está com medo,
pedindo socorro, etc., poderá desenvolver comportamentos
desagradáveis como o de latir em excesso. Depois quando
este comportamento é aprendido o animal não pára
mais de latir e geralmente bater e dar broncas não resolve
mais o problema.
O cão é considerado um animal social e para ele
é fundamental algum tipo de convívio e afeto.
Os passeios e exercícios são muito importantes
para aliviar o estress, assim como os brinquedos e ossinhos
que são destruídos e aliviam a tensão.
É preciso verificar também se o cão está
sadio, pois se tiver com algum desconforto, é necessário
procurar algum veterinário para receber a orientação
adequada sobre tratamentos e cuidados básicos.
Hoje em dia existe formas de adestramento para ensinar o animal
a latir menos e temos até coleiras anti-latidos.
As técnicas de adestramento se baseiam em recompensas
pelos comportamentos desejáveis e punição
pelos indesejáveis. Por exemplo, se toda vez que o cão
late, for levado um osso ou biscoito para acalmá-lo,
estaremos justamente reforçando o problema. O melhor
a fazer é ignorá-lo toda vez que ele latir. Se
você fizer isso, ele estará fracassando e o fracasso
sempre costuma ser uma ótima punição. Por
outro lado, quando o cão não latir, deve receber
carinho, atenção, biscoito, ou alguma coisa que
o agrade. Com isso, rapidamente ele saberá com as repetições
de punição e recompensa, o que o dono quer dele.
Outra técnica utilizada é a da punição
despersonalizada: toda vez que ele latir, jogamos água
ou algo que o assuste. Neste caso, para que a técnica
funcione, é muito importante que o cão não
veja o dono, para que não associe o castigo com a presença
do dono, mas sim com os latidos. Isso tende a inibir a repetição
do comportamento do cão porque será feita uma
associação do latido com o acontecimento desagradável.
No caso das coleiras anti-latidos o cão também
aprende a parar de latir em demasia. Esta coleira possui sensores
que detectam o latido do cão. Quando o animal late, a
coleira emite um pequeno choque, vibração, jato
de citronela ou algo que cause desconforto e isso desencoraja
rapidamente o animal a latir. Depois que o animal aprende, poderemos
usar outra coleira enganando-o. Infelizmente, estas coleiras
são importadas e raras no Brasil e além disso,
o seu uso exige que todas as instruções e cuidados
sejam seguidos para que o animal não seja prejudicado.
Existe
atualmente uma cirurgia que está causando considerável
polêmica nas entidades protetoras de animais e até
entre os veterinários, a cordotomia, a qual desliga as
cordas vocais tanto de cães como de gatos evitando assim
latidos e miados excessivos e como resultado passarão
a emitir latidos e miados sussurrados. Os veterinários
adeptos da operação dizem adotar a cirurgia em
situação extrema , já que é irreversível
e que por ser uma intervenção cirúrgica
rápida (uns 15 a 20 min), afirmam que o animal não
sofre nada.
Nós da Policlínica Veterinária de Cotia
acreditamos que a cordotomia é uma mutilação
tanto física quanto psíquica, pois latir ou mesmo
miar como já vimos anteriormente é de vital importância
para os animais, pois é uma forma de comunicação
dos cães e dos gatos e portanto não a fazemos
e nem a recomendamos.
A posse de um animal sempre deve ser responsável e quando
resolvermos ter um cão ou um gato, ou mesmo outro tipo
de animal, deveremos já ter em mente as conseqüências
que irão advir. Poderemos inclusive procurar um adestrador,
ao invés de expormos o animal a uma medida tão
anti-natural, pois não temos o direito de tirar essa
importante manifestação existencial do animal.
Que dono não ficará agradecido se seu cão,
ou mesmo o cão do vizinho latir e evitar que sua casa
seja invadida por estranhos ou algum outro mal aconteça?
Na verdade, cabe a nós seres humanos e inteligentes que
somos procurarmos entender a mensagem contida da linguagem dos
animais e sabermos captar seu apelo.
( Fonte:
http://www.policlinicaveterinaria.com.br/artigos_mostra.asp?id=24
)
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